Solos de Ricardo Guilherme

Theatro José de Alencar COMENTÁRIOS

SOLOS DE RICARDO GUILHERME 40 ANOS DE ATIVIDADES ARTISTICAS NAS TERÇAS DE JANEIRO NO THEATRO JOSÉ DE ALENCAR

Ricardo interpreta com extraordinária e impressionante originalidade. (Helmut Feldman, brasilianista – Koln/ Alemanha , 1984)



Ricardo Guilherme comemora 40 Anos de Atividades Artísticas com diferentes espetáculos solos em todas as terças do mês, iniciando nesse dia 05 de janeiro de 2010 com “Bravíssimo” na Abertura de Portas do TJA. Nas demais terças, sessões de "Flor de Obsessão" (12/01);"Ramadança" (19/01) e "Apareceu a Margarida" (26/01), que ele encena há mais de 25 anos. TERÇA, 05 DE JANEIRO Teatro Projeto Abracadabra apresenta BRAVÍSSIMO - Solo de Ricardo Guilherme a partir de textos de Nelson Rodrigues. 19h30 no palco principal. 14 anos. 100 lugares. Ingresso: Doação de 01 livro novo ou usado Saiba mais: 9159.6022 Sinopse: O texto reelabora crônicas de Nelson Rodrigues (publicadas entre 1950 e 1970) nas quais analisa arquétipos de identidade do povo brasileiro. A concepção cênica configura o discurso em duas personagens emblemáticas que encarnam maneiras opostas de encarar o Brasil: a grã-fina das narinas de cadáver e a vizinha gorda e cheia de varizes. A primeira representa aqueles que menosprezam o Brasil e a segunda, os que acreditam na transfiguração do país. Um olhar prospectivo que propõe a reversão do que o autor denomina de “complexo de vira-latas do brasileiro”. Em sua antropologia cultural, o cronista defende a idéia de que a superação desse complexo de inferioridade é o alicerce de uma nova experiência humana cujo referencial emblemático está potencialmente nos valores antropológicos do Homem Brasileiro. TERÇA, 12 DE JANEIRO Flor de Obsessão solo de Ricardo Guilherme, a partir de textos de Nelson Dramaturgia 19h no palco principal - R$ 5 e 10. 14 anos Sinopse: Flor de Obsessão reúne três contos de Nelson Rodrigues (Morte pela Boca, Missa de Sangue e Unidos na Vida e na Morte) publicados na coluna A Vida Como Ela É, mantida pelo escritor nos anos 50 em jornais cariocas, e mais um prólogo e um epílogo concebidos a partir da compilação de textos nos quais o autor explicita os temais centrais de sua obra, ou seja, sua obsessiva predileção por histórias em que o amor e morte se inter-relacionam e se completam. A seleção dos textos, portanto, é determinada pela tentativa de contrariar a compreensão de que a característica essencial do ficcionista o circunscreve à temática das aberrações sexuais ou das anomalias escatológicas. Flor de Obsessão tem por objetivo demonstrar que o substancial da problemática tratada por Nelson Rodrigues se reflete a sua dilacerada convicção de que o Homem, impotente para promover em si mesmo a reversão de sua pusilanimidade existencial, está condenado à angustia e à neurose, sem outra possibilidade de redenção a não ser a morte. Daí, pois, a escolha de contos nos quais os personagens, vivendo situações-limite, precisam matar ou matar-se para provar que amam. O espetáculo se compõe de dois depoimentos, falados na primeira pessoa, o próprio Nelson Rodrigues (prólogo e epílogo) e de três narrativas (os contos) nos quais ora fala o narrador ora as personagens dialogam. Para formatar essas dimensões, a encenação sintetiza o Narrador e o Depoente, como um contador de histórias, que, sentado numa calçada, dramatiza personas em ação e comenta as ações narradas. Do ponto de vista corporal, dois movimentos pontuam cada um dos tópicos narrados e dramatizados por este contador de história. São ao todo oito movimentos matriciais. No prólogo, de pé, ao esticar com suas mãos a pele do próprio rosto, em movimento vertical, para cima e para baixo, o contador de histórias molda em sua face as máscaras da comédia e da tragédia. No conto Morte Pela Boca, com os dedos crispados em forma de garras, o contador de histórias arranha e azunha o ar, como se ferisse alguém, e volta as garras contra si mesmo, punindo-se. Em Missa de Sangue, abre os braços como quem espera dar e receber um abraço e cruza os braços, num ato de indiferença em relação ao Outro. Em Unidos na Vida e na Morte, enlaça uma mão na outra, simbolizando convergência e aconchego e desenlaça as mãos, estendendo os braços em movimento de quem se recusa a receber algo ou afasta qualquer tentativa de aproximação. No prólogo, levanta-se e, sem nenhuma movimento de mão, fala ao público e sai. As energias com que são feitos esses movimentos alternam potencialização e despotencialização, inspirados nas forças de Eros e Tanatos. TERÇA, 19 DE JANEIRO RAMADÃÇA, solo de Ricardo Guilherme. 19h no palco principal. R$ 5 e 10. 14 anos Sinopse: A palavra Ramadãça, que intitula o espetáculo, é um neologismo criado pelo autor para inter-relacionar os termos ramadã ( período sagrado dos muçulmanos) e dança. O texto faz alusão a Osama Bin Laden, Saddam Hussein e a George Bush, caracterizando-os, como os representantes dos mouros e dos cristãos que reencarnam a luta de conversão travada na Idade Média. Assim, o autor reatualiza uma rivalidade que o imaginário popular do Nordeste do Brasil - caudatário do legado cultural ibérico - reprocessou ao conceber danças dramáticas e autos relacionados ao confronto cristianismo/islamismo. Neste espetáculo-solo Bin Laden, Saddam Hussein e Bush são encarados como trans-históricos embaixadores, quando, em pleno século XXI, representam deuses e visões de mundo que se contrapõem. As falas traçam a genealogia dos líderes muçulmanos e cristaos , ao mesmo tempo em que, em tom de oração religiosa, fazem exortações sobre a guerra e a paz. A personagem em cena é uma Rainha do Maracatu que se apresenta como uma espécie de Medéia africana, mãe primordial detentora do poder de vida e morte em relação aos seus filhos. TERÇA, 26 DE JANEIRO Apareceu a Margarida, solo de Ricardo Guilherme. 19h no palco principal. R$ 5 e 10. 14 anos Sinopse: A peça tem a sua ação dramática passada em uma sala de aula, onde o papel de aluno cabe à platéia representar. A montagem pode ser definida ainda como uma metáfora que extrapola o contexto educacional para encarnar a opressão humana, a tirania e o autoritarismo exercidos em múltiplas circunstâncias e nas mais diversas formas de comportamento pessoal, social e político. Nesta encenação o texto adquire como característica marcante a ambigüidade da personagem Margarida, professora de ensino fundamental que exerce o seu poderio como síntese e simbolo do arbítrio mas que também expressa contradições, revelando as inseguranças e os medos de quem, com peripécias tragicômicas, detém o poder. SOBRE O ATOR E DIRETOR: RICARDO GUILHERME (FORTALEZA, 1955) Professor, vice-coordenador e um dos criadores do Curso Superior de Artes Cênicas da Universidade Federal do Ceará, com experiência em diversas universidades da Europa, da África, da América Central e da América do Norte. Representante do Brasil em inúmeros festivais mundiais de teatro e congressos internacionais de encenação e dramaturgia. Especialista em Comunicação Social, reconhecido como Notório Saber em curso de pós-graduação da Universidade de Brasília. Historiador, com livros sobre a história do teatro, premiado pelo Ministério da Cultura, nos anos setenta, por seu trabalho de pesquisador. Jornalista Colaborador, contista, cronista e poeta . Fundador do Grupo Pesquisa (1978) e um dos fundadores da Televisão Educativa do Ceará (hoje TVC) e da Rádio Universitária. Roteirista de cinema e TV. Ex-vice-presidente da Federação Estadual de Teatro. Criador do Museu Cearense de Teatro (1975, atual Centro de Pesquisa em Teatro) e organizador do Museu dos Teatros de Estudantes do Brasil, criado por Paschoal Carlos Magno (1977). Formulador da teoria e do método do Teatro Radical Brasileiro (1988), objeto de pesquisa de alguns trabalhos acadêmicos.. Ator, dramaturgo e diretor teatral, com uma teatrografia de mais de cem espetáculos realizados, em quase quatro décadas de atividade, numa trajetória nacional e internacional. CRÍTICAS Guilherme revela as suas potencialidades vocais com uma gama de recursos cada vez mais rara nos atores brasileiros. (Macksen Luiz, crítico teatral, Jornal do Brasil - Rio de Janeiro/RJ, l982) Ator dotado de grande flexibilidade interpretativa. (Clóvis Garcia, crítico teatral, O Estado de São Paulo - São Paulo/SP, l982) Como ator, Ricardo Guilherme mostra que tem recursos de ator muito diversificados. Ele tem uma garra interpretativa digna de todo o respeito. (Yan Michalski, crítico teatral – Rio de Janeiro/RJ, 1982) Guilherme é, sem dúvida, um artista por excelência, um verdadeiro homem de teatro, pelo seu mérito intelectual e sobretudo pelo significado que tem conseguido imprimir à sua criatividade.( Millôr Fernandes, escritor – Rio de Janeiro/RJ, l985) Poderoso intérprete que põe em ação todos os seus notáveis recursos de ator (Moema Silva, jornalista, O Sete - Lisboa/Portugal, l985) Dificilmente se poderá deixar de aplaudir esse imenso saber que permite a Ricardo Guilherme transformar o seu corpo numa tão bela oficina teatral. Sua criação ficará como referência indispensável ao estudo do trabalho do ator em Portugal.(Carlos Porto, crítico teatral, Diário de Lisboa – Lisboa/Portugal, l984) Ricardo é um magnífico ator, um dos melhores do país, e também um encenador com uma proposta inovadora no discurso.(B. de Paiva, diretor de teatro, O Povo – Fortaleza/CE, 1985) Guilherme, ator brasileiro de extraordinárias qualidades, dotado de grande vitalidade. Sua direção é uma licão de coerência interna. (Arnoldo Mora, crítico teatral, Reflexion - San José/ Costa Rica, 1987) Não há espectador – por mais embrutecido, cínico ou insensível que seja – que não se toque com a carga emocional de Ricardo Guilherme. Seu trabalho é cerebral e instigante. (Jaguar, escritor, O Pasquim – Rio de Janeiro/RJ, 1982) O desempenho de R. Guilherme rompe a barreira dos idiomas. (Jorge Luis Carrigan, crítico teatral, Jornal do Festival de La Habana - Havana/Cuba, 1987) Ricardo dá uma lição admirável de interpretação na qual a sua voz é utilizada com uma gama riquíssima de matizes e a expressão corporal é desenvolvida plenamente e com uma aparência admirável de ausência de esforço. (Carlos Miguel Suarez Radillo, crítico teatral - Madri/Espanha, 1984) Ricardo é um acontecimento teatral de alto nível. (Lia Salvarani, jornalista, La Reppublica – Roma/Itália, 1984) Ricardo interpreta com extraordinária e impressionante originalidade. (Helmut Feldman, brasilianista – Koln/ Alemanha , 1984) Vê-se uma brilhante interpretação de R. Guilherme. (Cherif Khaznadar, diretor da Maison des Cultures du Monde Paris/França, 1985) Ricardo Guilherme consegue o prodígio de manter os espectadores pendentes de cada um dos seus gestos e palavras. (José Mena Abrantes, crítico teatral, Jornal de Angola – Luanda/ Angola, 1989) O trabalho de voz e de corpo de Ricardo Guilherme explora os contrastes com muito vigor. (Eugênio Barba, diretor do Grupo Odin Theatet - Fortaleza/CE, 1991) Ricardo tem um forte domínio de palco e aquela qualidade natural que poucos dominam: o emprego adequado da palavra. (Eliézer Rodrigues, crítico teatral, Diário do Nordeste – Fortaleza/CE, 1991) Em busca de identificação de um tipo nacional, R. Guilherme empenhou-se em elaborar um projeto capaz de resgatar, através do teatro, toda a riqueza do povo brasileiro. (Cláudio Gonçalves, jornalista, Jornal BsB Brasil – Brasília/DF, 1991) Ricardo é pura emoção no palco. É vitalidade, transgressão. (Carmen Moretzson, jornalista, Jornal de Brasília – Brasília/DF, 1991) Sua criação é originalíssima. Ricardo Guilherme é hoje um dos mais respeitados nomes do teatro brasileiro. (Aramis Millarch, crítico teatral, O Estado do Paraná – Curitiba/PR, 1991) Ricardo, em seus trabalhos, dá uma poderosa demonstração de criatividade e se revela como um homem de teatro que alia ética e estética. (Aderbal Freire-Filho, diretor de teatro e dramaturgo – Rio de Janeiro/RJ, 1992)

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